12.10.09

está provado. Assim que uma mulher se irrita, o verniz estala. vai literalmente pelos ares. logo hoje que o meu vermelho-amor-paixão-desejo-loucura-pirata das unhas estava tão bonito.

disse. está dito, e sem pingo de arrependimento.
pode ser que seja desta que as pontas deixam de estar soltas e desenfreadas. e que o álcool deixe de servir de desculpa para a falta de carácter.

11.10.09




i figured
one day
i'd just wake up
and find out
what the hell yesterday
was all about.
i'm not
too keen on thinkin' about
tommorow.
and today's slipping by.

10.10.09

Très Bon


neste mês de Outubro, os holofotes estão virados para a

20 curtas-metragens em antestreia nacional, longas-metragens, uma exposição de fotografia, concertos, a passagem de quatro curtas na RTP, matinés na Cinemateca e o diabo a sete.

je ne parle pas français
But so far So good

9.10.09

a solidão de manhã é ouro
à tarde prata


à noite,
mata

7.10.09



Come on baby play me something like
Here comes the sun

6.10.09

devo ter deixado
uma ponta solta.
não fechei bem.
não tranquei
a sete chaves.
e por isso o passado
insiste em
vir ter comigo.
insiste
em não ser
passado,
dando luta.
não querendo
desaparecer.
não há modo de se
deixar ficar por lá,
arrumado e
escondido.
não
com isto,
que tenha sentido.
não senti.
ou o que senti
nada fez sentir.
mas desconjunta,
desmancha e
distorce a realidade
isso não é bom.
nunca é bom.
a realidade destorcida,
por assim dizer.

deves andar a comer lençois,
eu já te disse que os lençois
não são para comer.



a chuva

resolveu

dar tréguas

mas

as lágrimas

insistem

em

cair

.

5.10.09

quase 31

hoje foi dia de arrumações. para a direita o que é à direita. para a esquerda o que lá pertence. e sem demoras para o fundo do baú, o que já lá devia ter sido arrumado faz muito tempo. tempo demais. chega de palavras mansas, suplicadas e perdidas. chega de tentativas que perdem o rumo por falta de quem as queira receber.
fechar o barraco e correr as cortinas, de vez. o ciclo agora já sem retorno, diz adeus.

parem lágrimas que para nada servem. parem loopings emocionais que só deixam em pura náusea o que ainda resta.
a realidade prega rasteiras que fazem esfolar joelhos. cotovelos doridos. dedos cautelosos e coração já em farrapos, sem dó nem piedade.

e a maldade humana que não é assimilada de vez! que não ganha lugar nesta consciência e assim cria imunidade nesta carcaça que luta contra a inocência que ainda se faz sentir, isto, apesar da contagem decrescente para mais um cálculo de matemática da vida. as primaveras. que se contam e recontam e obrigam a um rescaldo. a um balanço do que se tem e do que não se tem. tão cruel quanto isso. os anos que passam e que não há maneira de trazerem o que outrora foi dado como garantido nos planos a longo prazo.

quase trinta e um.

trinta e um anos de possibilidades. de hipóteses. algumas agarradas, outras perdidas ou nem reconhecidas. serei um fracasso? terei fracassado? dúvidas e mais dúvidas de uma mente confusa e de um coração que já mal bate.
fraca.
fraquinha.
fraquíssima.
a maldade humana alimentasse disso. da fraqueza. e principalmente da franqueza com que é dito. a verdade choca. causa repúdio aos que têm dificuldades em lidar com ela. aos que se acham mais e melhores do que sentimentos que deixam a vulnerabilidade a pairar no ar. os muitos que se acham fortes e impenetráveis a carências e agem com uma arrogância que só essa passividade sentimental lhes traz. mas por outro lado é de supor que quem age assim, é porque também tem uma ferida escancarada que teima em não cicatrizar.
dá que pensar, não dá?
cada um resguarda-se do Mundo como melhor sabe. não aponto o dedo. não apontar o dedo foi uma lição que aprendi ao longo destes quase trinta e um. mas confesso que essa arrogância, subtil, mas presente neste meu estado de espírito que não sossega, revolta.
revolta este estado que tem sempre o impulso, de dizer, de gritar para não se calar. para não aceitar, inerte e permissivo.

já disse que estou quase a fazer trinta e um?

bem, vou arrumar tudo bem arrumadinho na gaveta que fica por detrás daquela que nunca abro. vou esconder tudo lá no fundo para não voltar a lidar. é isso que vou fazer. em vez tentar resolver o que não tem solução. vou esconder para esquecer.
longe da vista longe do coração.
olhos que não vêem, coração que não sente. os ditados populares têm sempre razão.

o povo sabe o que diz e hoje está a chover.

o sr. mexia é que sabe

Eu devia ter tido mais juízo

(...)

"I Should Have Known Better" (Jim Diamond) é a mentalidade masculina em quatro minutos e 12 segundos. Ele traiu a mulher que, segundo diz, amava. E no entanto, tirando as lágrimas e as desculpas, ainda diz asneiras e mais asneiras. Coisas como «dei umas voltas» (o indispensável eufemismo sexual). Coisas como «pensei que percebias» (pensei que percebias que os homens são inevitavelmente infiéis, vem nos genes e tal). Coisas como «não devia ter mentido a alguém tão bonito» (se ela fosse um trambolho não havia mal). Coisas como «agora és tu que me magoas» (como se virar costas a quem nos traiu fosse tão mau como trair alguém).
Dá ideia que o «eu devia ter sido mais sensato» do título não é arrependimento honesto: é apenas um fulano em estado de necessidade. Um fulano que não ganhou um pingo de maturidade com a experiência.
Quando eu era puto, em 1984, ouvia esta canção e tinha pena dele. Queria que ela voltasse.
Hoje ouço de novo e acho que ele foi um canalha. E não quero que ela volte. Quando era puto, achei que ele soltava aquele estranho «ai ai ai», como em português fazemos quando nos magoamos. Hoje, sei que ele diz «eu eu eu», como um homem patético. Passe a redundância.

Pedro Mexia in Nada de Melancolia
heartache and good intentions




a vida é hostil logo pela manhã
pedro paixão

2.10.09

porra, é mesmo bom este som!

30.9.09

Primeira Lomo e um segredo




a minha é prateada, de colecionador

Ao acordar o dia não se adivinhava tão cheio e bom. Posso até dizer que não esperava encontrar a felicidade na sua mais pura condição. Mas foi isso que aconteceu. Hoje encontrei a felicidade, não debaixo da primeira pedra, mas sim, por baixo do elevador de Santa Justa, ao cimo da rua do Alecrim e em todos os lados por onde estes pés fizeram questão de caminhar. Isto, porque comprei a minha primeira Lomo!
Ando bastante atrasada na moda, bem sei.
Mas ainda assim, e sempre a tempo, comprei a Colorsplash Chancras para tornar estes meus dias que têm sido tão grey, um pouco mais coloridos e cheios de alegria.
Daí, ter andado com uma ansiedade infantil a tirar o maior número de fotografias para terminar o rolo e poder mandar revelar e ver, as muito (pouco) artísticas photos de zonas típicas e pessoas tradicionais de Lisboa.

Não podia ser mais fantástico o conceito de tirar photos ao acaso. Quer a monumentos, prédios, bancos de jardim, estátuas, e principalmente, ao desconhecido que passa, que não se importa de deixar tirar a foto porque está convencido que a máquina é de brincar. Ou então acha que é uma qualquer arma de arremesso e oferece umas pilhas, porque o receio ao estranho obejecto já a estava a deixar em desassossego.
isto, numa lojinha no meio do Bairro alto:

...“ai menina que até pensei que me ia fazer mal! Leve lá as pilhas que eu já nem me estava a sentir em mim!”

Frase que me fez deitar um sorriso rasgado apesar de indignado, mas com efeito calmante para quem o viu, abrindo de seguida as portas para a pergunta hoje tantas vezes feita:
“não! é só uma máquina fotográfica!
posso tirar-lhe uma fotografia? E prometo que da próxima vez que cá vier trago a photo para lhe oferecer!”

Feita mais uma amiga e com umas pilhas de oferta, lá segui caminho entre um mundo de coisas que pediam para ser fotografadas. i love my funny lomo!
Quanto aos resultados... ficamos com um rufar de tambores.

Ah! Quanto ao segredo… pois sim. Hoje contaram-me um segredo. Ou melhor, não me contaram, eu é que sou muito inteligente e perspicaz e descobri tudo sozinha. Mas, contudo, não deixa de ser segredo, por isso, não posso contar! No entanto, é uma questão de tempo. Já não falta muito para poder pôr a boca no trombone.

A propósito de instrumento musicais. Hoje também passei pela Fnac do Chiado para encomendar o Dolls do Takeshi Kitano e um senhor que estava por perto iniciou uma conversa que durou cerca de meia hora, mas com a qual fiquei deliciada pela cultura cinéfila e literária.
Acabei por seguir uma das sugestões e trouxe mais um filme para a minha colecção.
O trompete o violoncelo. É um filme colectivo.
Mas mais não digo, a não ser depois de o ver.

29.9.09

palavra de escuteiro




fuck
fuck
fuck
dá raivinha
receber uma mensagem,
simpática,
engraçada,
cordial.
tão educada e
estruturalmente
bem pensada.
nem mais,
nem menos.
não houve palavra que sobrasse,
nem houve uma só palavra em vão.
mas a tradição
não há modo de ser quebrada
porque só uma corda vermelha liga,
o que um dia já
andou de mãos dadas


já houve uma. e não há duas sem três.

a cabeça aguenta, o coração resiste. diz a outra.


bang bang

28.9.09







ela tem dezassete, ele tem trinta e apaixonaram-se.
ela é a estranha menina prodígio do folk brasileiro, que canta johnny cash e dylan, ele tem barba e dispensa apresentações. quis conhecê-la e fez esta música.
fico com eles hoje, há coisas em que acredito.
uma ou duas por dia vão chegando.





chama-se lau nau.
ou laura naukkarinen
vem da finlândia com brinquedos e voz doce. intervala com um inglês manhoso que a torna querida, fala de mapas que nos levam onde não queremos bem ir, da mulher que se apaixona pela morte e de canções de embalar com cavalos.

quase que sinto um floco de neve no nariz e o cheiro a chá quente.