28.11.09
DE REPENTE do riso fez-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
e das bocas unidas fez-se a espuma
e das mãos espalmadas fez-se o espanto.
de repente da calma fez-se o vento
que dos olhos desfez a ultima chama
e da paixão fez-se o pressentimento
e do momento imóvel fez-se o drama.
de repente, não mais que de repente
fez-se de triste o que se fez amante
e de sozinho o que se fez contente
fez-se do amigo próximo o distante
fez-se da vida uma aventura errante
de repente, não mais do que de repente
vinicius de moraes in "o operário em construção e outros poemas"
depois da mudança de código postal e de tudo e mais alguma coisa. Depois dos amuos que nem gente grande, de lágrimas secas por lenços de papel já meios desfeitos com cheiro a mentol e depois de ter deixado de ouvir o coração bater por alguns segundos com a emoção do cheiro a novo no meio da pequenez do desconhecido. e depois de noites monocromáticas para controlar a ansiedade e agora a saudade, essa, que nunca acaba e só cresce a torto e a direito.
resolvi vir aqui espreitar este tasco com tendências suicidas mas que teimoso se vai arrastando já sem escalpe (e lembrei-me dos basterds). que nem mesmo estando meio roto e esburacado por ausências e mais ausências que resfriam o sangue mas não o param, lá vai resistindo com curtos mas incessantes batimentos cardíacos.
os serões de agora, esses, tapados a manta com gosto a melhor reencontro do ano, são apreciados com preceito e a rigor. fragmentos refrescantes e dignos de apontamento para a rotina que antes se acreditava chata e sem tempero, e que agora é tão apetecida pela pontuação encontrada no seguro.
arrecadasse até agora, o princípio do Mundo e o fim da ingenuidade - até mais ver.
1.11.09
29.10.09
EU QUEROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!
porque adoro maratonas visuais (julgo serem quase 7h de documentário). porque é intemporal e sempre actual. porque em catraia e sem qualquer explicação adorava os desenhos do Guillian. porque me fazem rir. porque é um item obrigatório.
28.10.09
27.10.09
place to be
hoje foi o segundo dia consecutivo que acordei ao som de nick drake.
é de rotinas destas que eu preciso, nem mais nem menos.
26.10.09
antes de saíres para o trabalho, arrumas à pressa o dia anterior
para debaixo da cama.
antes de saires para o trabalho
e esqueces essa canção que já não passa na rádio
mas que vive secretamente dentro de ti.
fechas a porta à chave com duas voltas e sais.
25.10.09
Escondi-te parte da verdade no meu pueril atrevimento,
as lágrimas não foram só por sentir Saramago,
foram por ti.
foram pelas saudades que tenho que tenho de ti.
por esta teimosia inexplicável
por esta estupidez que só me diminui.
não me deste os parabéns.
foste a única pessoa de quem senti falta.
que me fez correr para a caixa de e-mail
com a ilusão de te encontrar por lá
com palavras retóricas, sim
mas sempre cordiais,
sempre afáveis e reconfortantes.
mas não foi a falta de palavras que magoou.
foi o perceber que já não te lembras de mim.
que fui mal adjectiva e precocemente esquecida.
mal posta num saco qualquer, atirada para um canto como uma
velha boneca de trapos.
"porque é que escolhes sempre o caminho mais complicado?" - disseste tu.
pois sim, tentar compreender os outros, por vezes, pode ser complicado e trabalhoso. ignorar é muito mais fácil.
23.10.09
depois de ouvir um dito teólogo a tentar a todo o custo rebater qualquer argumentação do grande, mas muito humilde, saramago.
posso dizer que fiquei com uma dúvida:
sr. teólogo, se a bíblia é assim tão preenchida de figuras de estilo, raios!? como é que estão à espera que seja etendida pelo crente, um comum mortal?
a meu ver, a bíblia é o que lá está escrito (ponto!), caso contrário, fica restrita a um pequeno grupo de eruditos e críticos literários, certo?
este já cá canta!
