6.9.09

tragam cá a miúda
que estes pézinhos descompassados e trapalhões vão gostar

5.9.09

porque ainda é o teu dia

a curiosidade anseia a história de cinco de setembro do ano em que já tardavas e o mundo te queria.

porque ainda é o teu dia

sinto-te a falta mais porque estás dentro dos risos, dos pratos de mão em mão, do carinho, do bolo de ananás, no sopro que apaga a vela. rituais dos quais não faço parte.

porque ainda é o teu dia

lembro o cuidado com que manuseias a tua memorabilia em segundos em que mais nada importa. de respiração suspensa, dedos cautelosos e sorriso de miúdo na mais bonita das partilhas.

porque ainda é o teu dia

imagino-te, humilde, a detestar a atenção que sobre ti recai e te põe ainda mais bonito e inocente, e faz-me ver à distância o consenso que é gostar de ti, o quanto por todos és querido.


porque ainda é o teu dia

acredito que és um vaivém como o quadro no passos manuel. mas só a segunda sílaba me conforta. a primeira lembra-me a todo o tempo a falta que me fazes.


parabéns.

4.9.09

com amor e por amor, à dança, à arte ao belo.


corpos concubinados, espíritos rendidos.



ao ver o P. Swayze é impossível não me reportar, cheia de emoção, aos tempos do Darty Dancing. mas por muito que os olhos agradeçam, os ouvidos choram quando o menino insiste em fazer músicas para a banda sonora...

3.9.09

porra é impossivel não sorrir



Tonet, diz que as pessoas entram na nossa vida por acaso, mas que não é por acaso que elas permanecem.


Pergunto: e as que contra a nossa vontade deixam de fazer parte dela? As que não há dia que passe sem deixarmos de esboçar um sorriso escondido pelo despropósito de uma lembrança que se decidiu colar à memória e se recusa a cair no esquecimento.


Luto contra a ideia de acreditar que a vontade de me manter ligada já ultrapassou o ridículo. Que a falta de bom-senso se apoderou de mim.

Mas qual é o limite de palavras e actos envergonhados que se podem atirar sem retorno até que a mão se dê à palmatória e decida aceitar que não existe forma de segurar o que não quer ser segurado?


Não há muito tempo atrás, a resposta a qualquer pergunta que envolvesse admitir o que realmente sentia, era vomitada por mim como algo fora de prazo, acho que andava zangada com os dias e com as noites, com as horas e os minutos.


Mas quando confrontada com a ideia de perder, algo em mim dobrou, cedeu e acedeu à mão que se estendeu do coração que gritou e decidiu dizer o que antes não tinha coragem sequer pensar.


Julgo que foi um processo de regeneração, tipo o rabo da lagarta.


Benigni no filme O Tigre e a Neve ou o Massimo n'O Carteiro de Pablo Neruda, as suas personagens, decidem ser poetas por terem descoberto que escolhendo bem cada palavra, conseguiam fazer sentir através de metáforas ou jogos linguísticos, a alegria desmedida com um pequeno pássaro, um revolucionário amor ou uma eterna devoção.


De certa forma, julgo que é com essa humilde e desconjuntada pretensão que por vezes aqui escrevo e deixo um pedaço de mim, que afirmo a minha tristeza com determinados actos ou ausência deles.Sabendo de antemão o risco de me expor, sem medo, escrevo sempre o que me vai na alma, o que não se descola da minha memória e, por vezes, até o que o meu corpo sente falta.


As minhas paixões tornam-se públicas, os meus "desamores" são escrutinados por terceiros sem dó nem piedade e as amizades desmanchadas são assim perpetuadas para o bem e para o mal, contudo, sinto-me sempre mais leve. De certa forma foi feita justiça. Disse o que não podia ser guardado mesmo não tendo sido ouvido, mas digo.


Afinal, escrever é a melhor forma de falar sem ser interrompida.




31.8.09

Nesta Era da falsidade

...que urge em cada canto tipo erva daninha, os que vivem da mentira, da calunia e da deslealdade não têm mãos a medir. Já não é só uma questão da maledicência a querer vestir a fachada da sensatez, é o não se conseguir ser mais. O que tem o pé maior e mais pesado é o que ganha!

Isto é o derradeiro final da crença na pureza humana.

É um final descrente, sem fé no milagre da cura.

Mas, segura de que, gestos "pequenos" fazem das pessoas "pequenas", e que, apesar de no imediato nada se poder fazer; existe sempre uma esperança sem fim à vista, no equilíbrio karmico ou numa qualquer Lei de Talião, não, que seja aplicada pelas minhas mãos, mas sim, pela vida.

O que se dá, é o que se recebe. O que se atira é o que retorna.

E o que moí, na verdade, é o que fica a pairar no ar.

É no entretanto, entre o mal feito e a verdade a ser descoberta, que fica algo que não é descritível por palavras, só com aquele palpitar nervoso, desconfiado e a medo do que está para vir, é possível perceber que o rato roeu a rolha e que o Rei vai nu, porque, até então, o Rei era crente, estupidamente crente.

O que está feito acaba por nunca se desfazer por completo.

Com esse sentimento de injustiça fica o rancor, a revolta.

Dito isto, que venha o diabo e escolha, qual deles é mais difícil de digerir. Qual deles deixa os olhos fecharem sem tirar sono ou sem dar aquela comichão no céu da boca.
Contudo, logo volto à ideia, que nada posso fazer senão acreditar, no que não tem fim à vista: a crença que existem fins tipo telenovela mexicana; os bons ficam felizes para sempre e os maus são castigados de forma atroz.


27.8.09

ele há coisas!....

e não é que descobriram na dispensa do Hitler latas de atum Ramirez?
(noticia no Expresso!...)


"... tenham sido encomendadas por Eva Braun. Essa, que também só tinha bom gosto para comer e vestir... porque de resto, a escolha de homem foi o que se sabe e dispensa comentários extra."comentário feito pelo"meu"dedálo11

e a pesca sustentável?!

21.8.09

cover





me




apesar de ter adorado ver as meninas no Campo Pequeno, o original tem muito mais feeling...

20.8.09

"se eu própria me bastasse, fugiria para sempre.

do teu corpo,

das tuas mãos quentes.

mas eu sou frágil como um grão de neve.

derreto-me com leves sussuros e a ternura estonteia-me.

sofro de constante abstinência de amor."



Pedro Paixão in Presa por Ti não em Ti

19.8.09

saudade até ao limite das folhas caídas na hora de cair




Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.

Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais gravedo que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

Carlos Drummond de Andrade

em português de Portugal ou do Brasil, a saudade é autêntica, real

14.8.09

a música engana-me e eu gosto

3.8.09

é urgente aquilo que sai em sílabas dispersas desorganizadas espalhadas no chão numa madrugada de coração na mão porque o peito abriu de vez é urgente dize-lo de olhos fechados semi-cerrados a meia haste cheios húmidos a pestanejar com um olhar que antes se cruzava e agora se aprofunda e se conhece é urgente a repetição de clichés que não o são a reiterar e a dar pontuação à segurança que tarda mas que caminha e à crença no timbre que me habitua é urgente deixar que ele tome as rédeas porque ele sabe é urgente o J.Backley inteiro num era uma vez já outrora mil vezes idealizado e o Grey num final espiritual apoteótico de quem se quer é urgente perder a conta às pestanas porque a boca distrai os olhos é urgente a reciprocidade as duas palmas os passos que imitam as neuras que se cruzam é urgente o riso de coração de prolapso ansioso infantil quando as palavras parecem fugir é urgente o lacre partido em dois e o copo meio cheio a substituir o vazio é urgente os pacotes de açúcar que começam fábulas do serão passado e adoçam o dia é urgente as mãos de fada que não se cansam e teimam é urgente o abraço que envolve porque o medo já vai longe e é urgente a métrica das bocas viciadas sem fim à vista é urgente passar do punk à poesia de algibeira é urgente o último olhar lançado naquelas escadas que agora são só tuas é urgente sentir que me procuras é urgente




29.7.09

\\\my cold heart in your hands



27.7.09

kitsch

juro que se fosses meu, não te trocava pela porra da
Coca-Cola Light!

26.7.09

everything with you





porque eu também amo você

porque andamos de mãos dadas

porque és o lado B do meu vinil riscado


welcome my sweet A.*

girl let's make out?