27.9.09


Ora então, o sol foi de pouca dura e confesso que não previa tal desfecho.
Talvez a memória do povo já tenha sido mais longa em tempos e o pote de ouro tenha estado no fim do arco-íris. Os planos saíram furados e a orquestra desafinada tomou o lugar do Cinema Paraíso no miradouro de São Pedro de Alcântara.

Noite salva pelo passeio em noite de verão pela avenida e o poder conciliar a playlist electro-pop-rock-punk mas sempre indie com uma vista de fazer os sentidos ficarem mais atentos e agradecidos. O Bairro Alto, as luzes a iluminar o castelo de São Jorge, o turista, o elevador da Glória, o grafitti que faz da rua uma tela de arte, o calor, a brisa e a pergunta em português com resposta em inglês.


Tudo espremido, fez valer a pena o esforço cívico derrotado, a frustração de não poder rever o Toto e a desilusão das pseudo-amizades vampirescas.

sons de domingo com raios de sol


Electrocute


Make The Girl Dance




Bag Raiders


26.9.09

mesmo quando não há agrafos no agrafador. mesmo quando está alguém a pagar as contas do mês no atm quando só quero levantar dez euros. mesmo quando decidem fechar o olho de boi no preciso momento em que estou a tomar banho. quando fico sem bateria enquanto espero o telefonema. e mesmo que parta o salto antes de chegar à reunião. mesmo quando percebo que o amigo está ser manipulado por um terceiro que mal me quer. mesmo quando me sugam as boas energias em nome duma amizade grande mas demasiado dependente. quando os trocos acabam e momentos são perdidos para sempre. mesmo que o quadro seja preto. mesmo que o buraco se tenha transformado em abismo e não tenha pára-quedas. mesmo que o relógio não tenha pilhas. mesmo que o copo meio cheio dê lugar ao vazio. mesmo que as flores murchem ora porque têm água a mais ou porque já sofreram de secura. mesmo que o menino da lágrima já não chore e o elvis nunca tenha vivido no magoito e já agora que os seis dedos dos pés da marilyn sejam mito. mesmo que tenham retirado do mercado os flocos de neve. mesmo que o george e a izy tenham morrido. mesmo que Portugal esteja a reinventar um watergate e que ainda não seja proibida a venda de peles verdadeiras e que haja pessoas que querem fazer da união de facto uma forma de desresponsabilização moral. mesmo que ainda hoje haja pessoas que gostam do napron e das flores de plástico quando nunca ouviram falar do kitsch só restando assim o piroso do período anterior a kundera. mesmo que ele nunca mais dance e agora sim seja um fantasma. mesmo que a casa não se venda e a mentira perdure. mesmo que o conceito de édipo não exista por estas bandas. mesmo que o amor não chegue e não tenha previsão marcada porque o coração está feito em cacus.
ora
eu estou bem
eu estou bem
eu estou bem

"always look on the bright side of life"

25.9.09

"Isn't life under the sun just a crazy crazy crazy dream?
isn't life just a mirage of the world
before the world, before the world?
why am i here and not over there?
where did time begin
where does space end
where do you and i begin?"

24.9.09

Porque me lembrei sem razão nenhuma em especial.

Andava eu à procura no Youtube da curta Falta-me para deixar aqui uma parte que me tocou profundamente, o preciso momento em que aparece um mendigo com um cartaz a dizer que não sabe o que lhe faz falta. Quando nós achamos que é TUDO! Ou até mesmo Lili Caneças. Que quando esperamos que a senhora diga que lhe faz falta algo fútil, ela responde: a minha filha.

Na falta De, encontrei este excerto do programa Fotograma da RTP. Em que Luísa Sequeira entrevista Cláudia Varejão sobre o seu novo trabalho apresentado no Indie Lisboa – que, com muita pena minha, não tive a oportunidade de ir ver.

No entanto, e ao longo da entrevista, é feita referência ao trabalho de 2005 – Falta-me.

Sem razão em especial, ou talvez porque não faz muito tempo, ouvi uma entrevista feita pela Inês Meneses na Radar, no Fala com Ela. E se já tinha admiração pela realizadora, desde então, essa admiração estendesse também à pessoa. Simplesmente fascinante.




E não é que para meu regozijo, também tropecei no menino de ouro português banhado em Cannes





Portugal explode de talento!

Pena que não lhes seja dado o devido valor e apoio.

23.9.09



além de gostar da voz do moçito

confesso que me faz bater pé e

baloiçar o esqueleto.

tudo isto,

com um ligeiro sorriso nos lábios

e quando um cover é melhor que o original? a meu ver, bem sei

original




cover


meninas pequeninas e tão dotadas. de cortar a respiração.

cuidado.

22.9.09

até outro dia bonequinha

R.I.P



1934-2009

dá um certo arrepio nostálgico...

Can't you hear a cry for love?

"estás ai?
consegues ouvir-me?
tive o sonho mais estranho de sempre, ainda está tão vivo na minha cabeça.
estávamos dentro de um carro, mas nenhum de nós estava a conduzir.
estávamos os dois no banco de trás e o volante virava à medida que o carro avançava, tu olhavas para mim silenciosamente,a tua mão na minha. senti que me querias dizer qualquer coisa.
parecias distante, tinhas um sorriso imensamente triste. de repente abriste a janela do carro e entraram centenas e centenas de pássaros de todas as cores.
entrei em histeria e, no meio daquela confusão, tu disseste uma coisa que soou a sussuro.
disseste:

não tenhas medo; não tenhas medo... "

além de andar à procura de uma menina que vá para o lugar da Ritinha, o menino voltou a fazer das suas. este é o single de apresentação do novo album. gosto. gosto mesmo porra.

18.9.09

"isto, o quê?
isto.
o amor?
talvez.
o amor?
sim, pode ser isso. quando é que começou?
começou antes de ter começado.
e depois?
e depois não acabou quando devia acabar. durou mais tempo. o coração bate mais tempo. não há maneira de parar o coração.
e então?
e então é assim. não há muito que se possa fazer. pode-se esperar.
pode-se esperar?
sim, pode-se esperar. sem saber o que se espera, por exemplo.
isso é ainda pior.
é.
e então?
o que é que tu queres saber?
gostava de saber.
eu também gostava de saber. mas o que se sabe é muito pouco. quase nada."


pedro paixão in Muito, meu amor

17.9.09



quem muito ri de manhã, chora à noite - já dizia a minha avózinha...

15.9.09

it's a feeling; a heartbeat


18.08.1952 - 14.09.2009

14.9.09

ela:
pois, temos de te arranjar um gajo em condições

eu:
pois, temos

ela:
quais os requisitos necessários?

eu:
já nem sei... acho que não quero um grunho

ela:
ok
já é um começo

eu:
tem de ter um certo glamour-geek e tem de ter sentido de humor. o resto logo se vê
ah! e não quero gajos giros, estou farta de gajos giros

ela:
tenho de ver se o jorge tem algum amigo desimpedido com essas características
nas festas dele há sempre imensa gente interessante

eu:
mas sem pressas que agora estou cansada
farta
exausta destes filmes que não levam a lado nenhum
desisto

ela:
não desistas
mas a verdade é que tu tens um íman para cabrões

eu:
eu estou amaldiçoada
vou sofrer de "uma constante abstinência de amor"
lol

ela:
lol
tens de quebrar essa maldição

eu:
não sei como...

ela:
tem calma
cada panela tem a sua tampa só tens que encontrar a tua

eu:
o que seria de mim, sem ti

12.9.09

Oh do you have a story
Do you have a story for me?
Do you know the one where
We'll all live happily

Do you, do you
Do you, do you

9.9.09

Hoje acordei entre raios e trovões.

Acho que já há muito tempo não sentia aquele medo infantil e, de certo modo quase irracional, de pôr a cabeça por debaixo da almofada e tapar-me até ás orelhas usando o lençol como escudo.
Sim, já desde pequena que acredito que entre mim e o mundo dos monstros, existe um lençol que me proteje de todos os males.