a noite, que nunca soube ser boa conselheira aumenta a solidão. os olhos não fecham e o álcool despe as palavras de vestes finas.
de expectativas furadas e planos rasgados o coração luta por resistir mas alma quase padece. porque tu não vens. e assim o fevereiro vai ser igual a qualquer outro mês. sem ti. vai ser só mais um fevereiro sem sentido. os dias vão ser só mais uma etapa obrigatória do tempo com horas intermináveis e vazias.
porque a vida não é como nós queremos, dizes tu. explicas que não entendeste a profundidade das marcas e a intensidade com que foram sentidas. que não tiveste consciência do que estava ao teu alcance e que agora a distância decide por ti.
eu acedo. não te consigo contradizer. sem força nem coragem. dou a guerra como perdida e quase sinto o sangue a fugir-me. a pele a ficar fria e o coração a parar porque já não tem o que o faça bater. cerro as mãos com força e paro a lágrima que teimosa quer cair.
tenho momentos em que gostava de dizer o que até hoje só tive coragem de escrever.
7.2.10
24.1.10
tenho dias em que vergo a cabeça e baixo os braços em antevisão duma derrota na tentativa. tenho dias em que danço com o diabo e vendo-lhe a alma para logo de seguida encher os pulmões e gritar com toda a força pelas crenças já enterradas de velhas. tenho dias em que bloqueio o cheiro o som e o sabor que se agarrou ao céu-da-boca que antes era um mundo e agora quase se calou. tenho dias em que sentada na janela que agora mostra um horizonte que não se reconhece nas ruas e nas pessoas que passam e imagino um rio um cais e o sodré e uma avenida feita de calçada e um bairro com mil histórias. tenho dias em que os dias não são válidos em nome da vontade de não dar demasiada importância e não deixar pesar na decisão porque dias maus não escolhem lugar no mundo para dar a cara. voltar-não-voltar-voltar-não-voltar aparece em loop ao acordar e ao deitar mas o dia acaba por ficar entregue ao que acontece rápido e urgente e que não deixa tempo para pensar. tenho dias em que percorro de comboio um futuro apetecido de olhos arregalados e despertos com sede de ver para possuir e se deixar encantar. tenho dias em que preciso de ter um balão vermelho para enganar a solidão e fazer-me sentir criança inocente com atrevimento q.b. para aceitar a descoberta. tenho dias em que admito reconhecer no fevereiro um engano que nada vai trazer se não mais nódoas negras e cotovelos esfolados.
tenho dias, como hoje, em que sinto que as horas podem ser iguais em qualquer lugar. que tenho de prender o coração ao peito porque ele só pensa em voar sem razão. tenho dias como hoje, em que acredito sem justificação ou consolo na força que não se sabe de onde vem mas que se mostra e atira para a frente sem medo, sem perguntas nem esperas.
11.1.10
10.1.10
don't matter if it's steep
don't matter if the moon is gone
and the darkness is complete
don't matter if we lose our way
it's written that we'll meet
at least, that's what
i heard you say
a thousand kisses deep
i loved you when you opened
like a lily to the heat
you see, i'm just another snowman
standing in the rain and sleet
who loved you with his frozen love
his second hand physique
with all he is and all he was
a thousand kisses deep
7.1.10
2.1.10
e a ilustração de henri de toulouse-lautrec pendurada na parede como testemunha. a lembrar que a vida é um cabaret com música e cancan e alegria em doses diárias.
este tem de ser o ano em que a felicidade me vai bater à porta, eu sei.
26.12.09
dá mais gosto a tudo e aconselhasse.
o amargo tornasse um pouco mais doce e o acre desaparece da língua como que por magia. as lágrimas deixam de cair paralelas e apressadas e o sorriso ganha vontade e resolve dar as caras. as mãos que antes não sabiam onde se guardar começam a ganhar um ritmo que as faz adquirir um compasso, um sentido, uma missão. mesmo que lento, presente e útil.
da lágrima faz-se o sorriso, é isso.
não há cá músicas azuis, ou vermelhas ou de várias cores. há música. simplesmente música. não há música que nos puxa para baixo, mas sim, música que nos levita nos leva e abraça e aquece.
curioso como a bioquímica se reflecte na pele e a excita e quase a sinto rasgada e desprotegida, exposta ao exterior. despida de qualquer socorro, fraca e a implorar por amparo.
so try to be somebody
so try to feel somebody
so try to leave somebody
so hard to be somebody
24.12.09
Christmas number one single in UK*
isto é que é música de natal!
oh
oh
oh
merry
christmas
nada de melancolia, já dizia o querido mexia.
e já que o cheirinho por aqui é dos dezassete fica sempre bem dizer
rage era só mais uma das minhas bandas. nunca a principal.
toda eu era pearl jam. toda eu ainda sou. foi fase que se entranhou debaixo da pele e não saiu até hoje. os pearl ganharam sem esforço o seu canto entre a epiderme e a derme e viram-me crescer, sem nunca abandonar o barco. aproveito para me queixar do youtube e dos seus embeddings disableds, como quem diz, embêbedos disabilitados, que são o que eles são. lixam-me sempre os planos mais bonitos.no entanto, os senhores ainda hoje mexem comigo como poucos.
é de ir às lágrimas vezes sem conta com o last kiss , é ganhar força e raiva que se desconhecia com o alive, é gritar de seguida um i wish I was a neutron bomb for once I could go off I wish I was a sacrifice but somehow still lived on, é o tentar-algo-de-sensual com um black é o cantar o even flow em plena rua e de semáforos fechados, é o ser paciente e dar a pele a alguém para usar, sem fazer perguntas, é o aceitar um corte e a passagem para sonhos a cores ou a vermelho com o better man, é cantar o yellow ledbetter na banheira e sair a pingar e a rir com ar de míuda ao perceber que a mãe estava a ouvir.
cada música, cada sentença. exagero ou não, vou agindo na vida de acordo com as letras deles. é por capítulos e fazem sentido.
pearl é visceral.
eles estão sempre presentes, e não morro sem os ver mais uma meia dúzia de vezes.
21.12.09
19.12.09
prefiro deixar por contar o que nem merece ser contado.
não fazendo qualquer questão pelo desperdício nas palavras. à gente que nem nada merece.
e num flash um velho mito vem à baila, as pessoas más deviam ser coxas e ter um sinal na testa, logo de seguida penso no ridículo dessa ideia. mas penso-o com a vontade de não querer deixar cair um mito por terra, afinal os mitos querem-se intactos, porque assim é que deve ser.
depois vem a sede da esperança já outrora mil vezes questionada, de que o que hoje não faz sentido algum, amanhã poderá tornar-se a epifania e a entrada para o que tanto se esperava.
com o orgulho que corre nas veias de ter uma alma limpa - algo raro nos dias em que correm.
com um mau feito internacionalmente conhecido mas de uma pureza que não se encontra mais.
fecho os olhos e durmo com este pensamento.
13.12.09
11.12.09
e algum dia terá de sair deste estado de obediência inútil.
Florence and The Machine - Kiss With A Fist music video
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