9.2.09

Fragmento do Homem

"Que tempo é o nosso? Há quem diga que é um tempo a que falta amor. Convenhamos que é, pelo menos, um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado, convertido em mercadoria. A obsessão do lucro foi transformando o homem num objecto com preço marcado. Estrangeiro a si próprio, surdo ao apelo do sangue, asfixiando a alma por todos os meios ao seu alcance, o que vem à tona é o mais abominável dos simulacros. Toda a arte moderna nos dá conta dessa catástrofe: o desencontro do homem com o homem. A sua grandeza reside nessa denúncia; a sua dignidade, em não pactuar com a mentira; a sua coragem, em arrancar máscaras e máscaras.

E poderia ser de outro modo? Num tempo em que todo o pensamento dogmático é mais do que suspeito, em que todas as morais se esbarrondam por alheias à «sabedoria» do corpo, em que o privilégio de uns poucos é utilizado implacavelmente para transformar o indivíduo em «cadáver adiado que procria», como poderia a arte deixar de reflectir uma tal situação, se cada palavra, cada ritmo, cada cor, onde espírito e sangue ardem no mesmo fogo, estão arraigados no próprio cerne da vida? Desamparado até à medula, afogado nas águas difíceis da sua contradição, morrendo à míngua de autenticidade - eis o homem! Eis a triste, mutilada face humana, mais nostálgica de qualquer doutrina teológica que preocupada com uma problemática moral, que não sabe como fundar e instituir, pois nenhuma fará autoridade se não tiver em conta a totalidade do ser; nenhuma, em que espírito e vida sejam concebidos como irreconciliáveis; nenhuma, enquanto reduzir o homem a um fragmento do homem. Nós aprendemos com Pascal que o erro vem da exclusão. "
Eugénio de Andrade in Os Afluentes do Silêncio

8.2.09

Tomem lá um Blá Blá Blá


Houve quem me acusasse de não actualizar o blogue com tanta frequência como devia, isso quererá dizer que ando cheia de trabalho. Não, é mentira. Mas já andei, antes, com igual quantidade de obrigações, e escrevia mais.

A verdade é que a realidade me deprime, chega uma altura em que não sei sobre que escrever sem custos para a minha paz interior. Se não falo da minha pessoa tenho de falar do Mundo. E falar do Mundo faz-me sofrer. Não chega falar das dioxinas na carne de porco, é preciso chamar a atenção para a industrialização da morte de animais, em fábricas onde são tratados como meras peças de carne desde o momento do nascimento até à indigna morte. É preciso ter coragem para abordar o assunto. E isso faz-me sofrer. Não basta falar das faltas dos deputados que elegemos para que nos representassem no parlamento. Seria necessário questionar de novo a democracia, o que se pensa ser este sistema e o que se faz dele. E isso faz-me sofrer.

Abordar a questão da luta dos professores por uma avaliação diferente seria fastidioso de extenso, e far-me-ia sofrer. Deixei de acreditar no julgamento Casa Pia e no caso da miuda inglesa. O caso BPN não me interessa nem o do Banco Privado. Assuntos de bancos, sinceramente, só se for para levantamentos de dinheiro, e sem comissão, o que já nem na CGD é possível. Também me dava jeito que o meu banco me mandasse depressa o cartão de débito que substituirá o desmagnetizado, bem como o cartão de crédito com nova validade, porque, sinceramente, nestas condições está a ser difícil fazer compras. Depois dizem que o consumo baixou! Hoje o Louçã fartou-se de falar e estou sim, abalada com os fogos na Australia. Já não suporto mais ouvir falar do Socrates. Tudo isto me faz sofrer!

Não tenho nada para dizer sobre os homens nem sobre as mulheres. Passam por mim, quase não existem. Os vizinhos do segundo andar, que não conheço, colocaram-me na caixa do correio um bilhete onde escreveram, sem erros, se perdeu um lençol, está cá em casa. Não perdi.
Basicamente, a única coisa que tenho para dizer é que os amigos estão todos "grávidos". O Alexandre dois (gémeos), o Pipo um, Pedro um e por fim Mónica um. Hoje de manhã fui à rua e verifiquei que a chuva vinha muito gelada. Em alguns lugares deve estar a nevar. Eu já vi nevar uma vez. É bonito.

6.2.09

Nicest Thing

5.2.09

Love Snoopy!

Frases a serem lembradas...

"Snoopy : Why can't we get all the people together in the world that we really like and then just stay together? I guess that wouldn't work. Someone would leave. Someone always leaves and then we have to say good-bye. I hate good-byes. I know what I need. I need more hellos.

Snoopy : Yesterday I was a dog. Today I'm a dog. Tomorrow I'll probably still be a dog. Sigh! There's so little hope for advancement.

Snoopy : Sometimes when I get up in the morning, I feel very peculiar. I feel like I've just got to bite a cat! I feel like if I don't bite a cat before sundown, I'll go crazy! But then I just take a deep breath and forget about it. That's what is known as real maturity.

Snoopy : Dear IRS, Please remove me from your mailing list."

4.2.09

Em honra dos meus maus amigos


Venho aqui, prestar uma homenagem a todos os meus maus amigos.

Tenho a perfeita noção do quanto é valiosa a vossa falta de amizade para mim. Do quanto enriquecedora é a trajectória da vida convosco do meu lado, ou a trás, ou dos lados, porque sinceramente, vocês ultimamente aparecem por todo o lado. São tipo barata.

Vocês com toda a certeza são a razão pela qual, eu me sinto cada vez mais forte, mais perspicaz, mais astuta. Vocês ajudam-me a crescer, a desenvolver as minhas idoneidades e com toda a certeza e acima de tudo, a minha paciência.
Sem vós, eu não saberia dar valor aos bons amigos e convosco, tenho descoberto o quanto é bom vermo-nos livres dos que nos são nocivos.
Congratulo-vos por todas as vezes que, tiveram a capacidade de negar uma breve palavra de conforto ou um pequeno gesto de afecto quando mais precisei. A vossa displicência vai ficar registada para sempre neste meu coração. Todas as vezes que me deixaram sozinha! E o mais irónico, é fazerem questão de dizer, que eu me fecho e normalmente não peço ajuda. Que não sou humilde! Em nome da amizade dizem-se barbaridades e esperam-se milagres.
Para vocês eu serei sempre uma “obra de arte” inacabada que todos vocês acham que têm direito de “pincelar”. E nisso têm razão, de facto sou uma “obra de arte”, mas em construção. Uma obra, perfeitamente imperfeita.
Quando ouço falar de um de vocês, eu sorrio. Façam o mesmo, é elegante. Não aproveitem a altura para mal dizer e mal amar.
Meus queridos maus amigos, desejo-vos do fundo do meu coração, que sejam muito felizes. Só que longe de mim! E se algum dia nos cruzarmos na rua, vamos fingir que não nos vimos, ao menos vamos manter uma distância digna.




1.2.09

Pseudo-Crónica de pés frios (em dias de chuva)

Às vezes, quem escreve cansa-se de escrever coisas bonitas, profundas que durem para sempre. Que sejam arrepiantes premonições da vida de quem as lê e que consigam tocar o maior número de pessoas a determinada altura das suas vidas. Chega de querer ser recordado, amado, forjar frases para facilitar a vida a quem nos queira citar no dia em que morrermos. Basta de monólogos para “arrebatar plateias por esse mundo fora”, fazer-se ao mosh de comentários, passear o glamour geek pelo Chiado entre pseudo-intelectuais escanzelados, com camisas de flanela aos quadradinhos e jeens rasgados, como quem prefere gastar o dinheiro na papelaria Bertrand do que numas calças novas.

Chega de tentar entender o mais profundo da nossa alma e com isso sofrer dilacerações repetitivas de traumas vividos e mal sobrevivido. Raisparta a consciência da verdade! Desgraçado seja o sonho que me persegue e não segue… Basta de frustrações diárias e conflitos interiores carregados de amargura e desgostos.

Merda para os balanços do ano... em que o activo tem que ser igual ao passivo mais o capital próprio, mas que na verdade não passa de simples encerramentos para inventario, ou seja, contagem de material físico.
Chega de vizinhos chatos com perguntas inconvenientes. Chega de amores e “desamores” sem ponto de partida e casa de chegada. Chega de pessoas que não sabem o valor de um pedido de desculpas e não reconhecem a força das suas palavras.
Chega de programação imbecil, jornais despidos e lado nenhum para onde fugir. Basta de conversas monotemáticas, espirais de rituais repetidos por milhões de pessoas como tropas de zombies aparentemente bem intencionados.


Chega… Basta! Estou cansada.

31.1.09

Mickey Mouse Cartoon

Just Mickey 14 de Março 1930


Porra é impossivel não se adorar isto!


When The Cats Away 11 de Abril,1929

29.1.09

Breakfast at Tiffany´s

Eu não me canso de ver filmes antigos.
A magia, o encanto, a sua sensualidade inocente.


....

" Paul Varjak: I love you.
Holly Golightly: So what.
Paul Varjak: So what? So plenty! I love you, you belong to me!
Holly Golightly: [tearfully] No. People don't belong to people.
Paul Varjak: Of course they do!
Holly Golightly: I'll never let ANYBODY put me in a cage.
Paul Varjak: I don't want to put you in a cage, I want to love you! "
...

Por esta altura já sou uma nascente, tenho uma caixa de clinex do meu lado e estou agarrada a uma almofada tipo ancôra...

...

" Paul Varjak: You know what's wrong with you, Miss Whoever-you-are? You're chicken, you've got no guts. You're afraid to stick out your chin and say, "Okay, life's a fact, people do fall in love, people do belong to each other, because that's the only chance anybody's got for real happiness." You call yourself a free spirit, a "wild thing," and you're terrified somebody's gonna stick you in a cage. Well baby, you're already in that cage. You built it yourself. And it's not bounded in the west by Tulip, Texas, or in the east by Somali-land. It's wherever you go. Because no matter where you run, you just end up running into yourself.

[tira o anel do bolso e atira-o para o colo da Holly]

Paul Varjak: Here. I've been carrying this thing around for months. I don't want it anymore. "
...
E no final tudo acaba em bem. Menina fica com o menino e ambos ficam felizes!
Ando desesperadamente a precisar de finais felizes.
Tão depressa não posso ver o Casablanca!

O bicho papão...



A dor é uma verdadeira prisão da mente e do espírito, uma experiência de teste e ao mesmo tempo de aventura na vida de uma pessoa.
A dor não é só uma sensação, mas um estado, que se materializa dentro de nós, que se apodera do nosso íntimo. É conquistadora no mundo da falta de auto-estima e auto-destruição.
Se a superarmos seremos vencedores e se vivermos com ela seremos perdedores.

Existem muitos tipos de dor. Na verdade os caminhos em que a dor nos pode confrontar são incontáveis. Existe a dor momentânea, a dor de longo prazo que é um pouco menos confortável, a dor mais leve e a dor de duração prolongada e agonizante. Existe a dor física, a dor mental, a dor emocional, e a dor espiritual. Nesses quatro tipos basilares de dor, podem haver possibilidades ilimitadas de caminhos distorcidos que nos podem perturbar a todos os níveis possíveis da nossa realidade, da vida consciente, ou subliminar.

Ver como lidamos com a dor em cada momento da vida mostra-nos com que profundidade o nosso carácter experimental e mesmo a nossa disciplina se desenvolveu, e a que ponto pusemos o nosso centro Espiritual, o nosso núcleo de crenças e valores, em teste.
Nestas alturas comprova-se o amadurecimento adquirido por nós ao longo dos anos que já vivemos.

Muitos dizem que a sabedoria é termos uma atitude positiva para com a vida e assim a dor crónica não se irá apoderar de nós.
Mas na verdade, o Nirvana está em reconhecer o porquê na dor, perceber o que a está a manter viva. Aceitar a responsabilidade pessoal pela façanha da nossa dor, liberta-nos de alguns aspectos mais negativos e dos seus efeitos. Isto com certeza é cura. A responsabilidade pessoal pela nossa dor na vida, são necessárias para nos libertar da própria dor. Só assim nos podemos libertar das cadeias consecutivas e viciosas em que a dor nos colocou.

Tenho dores que me perseguem, dores que não entendo, que não consigo identificar os seus porquês e as suas causas. Fantasmas dos quais me anseio exorcizar….


27.1.09

...in 'As Opiniões e as Crenças'

"... A esperança é filha do desejo, mas não é o desejo. Constitui uma aptidão mental, que nos fez crer na realização de um desejo. Podemos desejar uma coisa sem que a esperemos. Toda gente deseja a fortuna, muito poucos a esperam. Os sábios desejam descobrir a causa primitiva dos fenômenos; eles não têm nenhuma esperança de consegui-lo. O desejo aproxima-se algumas vezes da esperança, a ponto de confundir-se com ela. Na roleta, eu desejo e espero ganhar. A esperança é uma forma de prazer em expectativa que, na sua actual fase de espera, constitui uma satisfação frequentemente maior do que o contentamento produzido pela sua realização. A razão é evidente. O prazer realizado limita-se em quantidade e em duração, ao passo que nada limita a grandeza do sonho criado pela esperança. A força e o encanto da esperança consistem em conter todas as possibilidades de prazer. Ela constitui uma espécie de vara mágica que transforma tudo. Os reformadores nunca fizeram mais do que substituir uma esperança por outra... "
Gustave Le Bon in As Opiniões e as Crenças

26.1.09

Laboratórios e Equações

Não sei como pude nascer assim, com um coração como o universo que cresce todos os dias e se multiplica em espaço e capacidade, fico espantada como afinal, te consegui arrumar num canto só teu.

Gostar de alguém implica uma reacção de equações bioquímicas exacerbadas. Os cientistas (sempre eles!), querem nos convencer que toda a áurea sedutora de mistério que envolve os assuntos do coração, não passa de uma meia dúzia de manifestações anatómicas.

Será que a paixão é simplesmente uma reacção bioquímica?
Poderá ser considerada uma doença?
Irão começar a pôr os apaixonados de quarentena?
Haverá daqui a alguns anos um comprimido que cure paixões frustradas?....

Normalmente prefiro falar do Mundo com ironia, sarcasmo ou qualquer outro instrumento literário ou retórico. Mas para falar de sentimentos, não me resumo à escolha de palavras harmoniosas, penetrantes e reveladoras de sensações internas que se apoderam de mim. Dissertar sobre o que me forra a alma pode ser assolador. Quem me conhece, consegue ler nela tudo o que precisa e além disso, sem palavras não há equívocos.
Dispensando também, qualquer envolvimento com a ciência da paixão. E a despeito de todos os tubos de ensaio de sofisticados laboratórios e reacções bioquímicas e moléculas cito plasmáticas, eu acredito, que deve haver algo mais que nos ajude a explicar o inexplicável.

25.1.09

(b)Ryan Adams

Pois sim... Ryan Adams.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, apaga-se a primeira letras do primeiro nome... e Voilá!



....

24.1.09

Os clinex acabaram...





"o amor pergunta para a amizade
*para que tu serves?
a amizade responde
*sirvo para limpar as lágrimas que tu deixas cair"

(luiza de paula castro)

23.1.09

Se não te atrasares muito, eu espero




“Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização.” (Martin Luther King)



Continuo à tua espera.
Mesmo já sem fé, mesmo já sem esperança.
Porque quem realmente sabe o que quer e o que realmente procura, espera. Assombrada de medos e desespero. Mas espero pelo dia em que te vou poder ter de novo, espero pelo dia em que irás perceber que me podes amar, acolher no teu leito e fazeres-me voltar a sentir segura e completa.

Foste tu quem um dia fez questão de usar o monótono compasso de uma frase feita, para me fazer acreditar que “quem espera sempre alcança”, por isso eu te respondo, “a esperança é a ultima coisa a perder”.

Deambulo nas complicações e inquietações da consciência que me tráz a realidade. A possibilidade de nunca mais te vir a ter. No entanto, resisto à impotência da espera agarrada à lembrança de um momento perfeito.
Do que vivemos e do que acredito que ainda vamos viver.
Quando se gosta de alguém, tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter connosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. A vida transforma-se numa estação de comboios. Enquanto se espera aprendemos a ver o futuro, a deseja-lo, a organizar tudo para que ele seja possível. É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.



22.1.09

Totally innn love by Indie



Eu adoro musica. Musica de todos os tipos, musicas de todos os géneros, digamos que não tenho um tímpano esquisito. Enfim, sou uma Musical Sluty.

Mas confesso que tenho uma paixão muito especial por musica Indie, seja ela Pop, Folck, Rock ou qualquer outro nome que lhe queiram adicionar.

Ele é dos EUA, vem do Mississipi (terra do nosso tão querido Tom Sawyer). Lançou o seu primeiro álbum em Fevereiro do ano passado e apesar de não ser um sucesso colossal da MTV, é simplesmente divinal. Curiosamente, dá nomes como Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso, entre outros como, The Zombies, Electric Light Orchestra, Prince, Daniel Johnston... como nomes que o influenciaram e influenciam musicalmente.
Meet me in the garden * Pierce avenue * When you were mine, são canções que vamos trautear o dia inteiro, quer queiramos ou não.

Para ouvir e sorrir....


"Oh, Paris!" by Dent May & His Magnificent Ukulele