28.6.09

O eterno retorno




by@bombasuicida



sim,
confesso aquelo luminoso rumor,
vasto como o espaço, a afogar-me os sentidos;

sim,
confesso as minhas cicatrizes
e arrisco-me ao grotesco e ao ridículo;

sim,
confesso que os meus olhos me derrubam
e a boca me desassossega;

sim,
confesso saber que só um acidente do tempo
faria o prodígio da entrega;

sim,
sim,
sim,
mil vezes sim:
contra a crueza espessa do impossível
confesso a verdade última do amor.

Adalberto Alves in Oriente de Mim

27.6.09

Um vício, doses diárias e um apogeu quase orgásmico




É de certa forma inquietante, o vício que o meu eu sente pela música, talvez porque em tempos já houve quem dissesse que tinha sido bafejada pelo dom de cantar e encantar. Mas isso já foi há tanto tempo que nem sei se ainda é válido de se contar, não sei, se passados tantos anos, poderei dizer que pisei palcos, que acompanhei grandes nomes da música portuguesa e que fui aplaudida, de pé, como só as pessoas que têm um dom o são.

Julgo, que obrigar os meus ouvidos a umas doses diárias de notas musicais arriscando acompanhar num tom já meio envergonhado pela falta de treino, prática e confiança, é mesmo assim, acredito, uma forma de continuar a ser eu.

Esse dom foi um dos fenómenos mais importantes que me há tocado viver, ou melhor dizendo, padecer.

Não aprofundei o meu estudo da música, limitando-me a recrear algo que vinha de mim, que eu expulsava do meu interior sem grande controlo. Era algo que simplesmente acontecia, sem explicação, sem regra. E no entanto, esse acaso contribuía para uma reacção nos outros e principalmente, em mim, no meu corpo, na minha carne, no meu efémero coração.

Sei que se tocarmos uma nota num piano, se houver uma guitarra por perto, esta, irá vibrar a mesma nota sem que ninguém a pulse. A isto chama-se Vibração por Simpatia. Sim, é o mesmo que nos faz vibrar com uma pessoa que “nos cai bem”, porque estamos conectados pelo mesmo tipo de nota musical.
E também sei que exsite uma recação bioquimica. A música é considerada uma energía física, o som, repercute na superfície total de nosso corpo, filtra-se através de nossos poros até chegar ao lugar onde se encontram as glândulas endócrinas desequilibrando assim, a produção natural de hormônios. Se existir mais adrenalina que o normal, vamos acabar por observar um aumento da pressão sanguínea e um aumento do ritmo cardíaco. O hormônio, chamado gonadotrofinas, que junto com os hormônios sexuais, tanto masculinos como femininos, são os que produzem reações incontroláveis do organismo fazendo, este, chegar ao orgasmo.

Já senti que a música se apoderava de mim, que eu já não era dona das minhas reacções, que algo que era mais forte do que eu fazia lágrimas caírem-me cara abaixo, que os pelos do meu corpo ficavam erectos, que as minhas mãos soavam, o meu corpo tremia da emoção e o meu coração lutava para continuar a bater e não se entregar a um estado de inércia induzida. Ou pelo contrário, bater tão fortemente que quase conseguia pular a serca e abandonar a sua morada, o meu corpo.

26.6.09

Como por vezes a memória me foge, tenho medo de não ser justa o suficiente

e ela estava radiante…

Perguntei eu, o que me dizes tu sobre a Farrah Fawcett?

"Enquanto o menino dorme por tempo indeterminado...

Tornou-se “famosa” por integrar os anjos de Charlie (série original). Era considerada um ícone de beleza e a tendência do penteado dela, pegou como referência no anos 70/80. tal que embora os ANJOS de Charlie sejam todas hierarquicamente iguais, ela destacou-se mais, (pelos seus atributos), e era como se fosse a protagonista.

Depois já não recordo o que aconteceu, mas recordo que ela foi substituída na série, (que durou um porradão de anos…), por uma outra loira que supostamente era “irmã” dela.
Mas não sei porquê saiu, deu processo e tudo, porque ela quebrou contracto.

Sei que foi casada duas vezes.
A conhecidissima relação com Rayn O’neal, durante bués anos, mas o gajo tinha problemas com drogas e álcool, e embora se tenham divorciado, eram “amigos” na mesma. Tiveram um filho e tudo… Ela era o grande amor da vida dele, só que ele também era um mulherengo.

Depois houve o CÉLEBRE poster dela com o fato de banho vermelho, que isso para a altura era um escândalo! Mas não foi tão famoso como a foto ícone do Che Guevara.
E também sei que pousou para a Playboy.

Não sei mais nada.

Ahhhhh…. Teve um cancro anal.

Servem-te como referencia estes dados????

Qualquer coisa vai pesquisar.

Eu sei, porque o meu pai e a Tila eram FÃS dessa série e eu acompanhava-os enquanto brincava às barbies no chão ao lado do sofá! Religiosamente."

Acho que não preciso de ir pesquisar. Hoje considero-te o meu comando de busca. Obrigada minha Adrianissima erudita-retro-com-um-certo-contra-ponto-vicioso-venezuelano!

obrigada por mais uma vez deixares a tua marca neste meu canto, que é tão nosso, tirando peso ao pesar.


Moi aussi! (com ou sem acento)

R.I.P.





apesar de só ter sido postado hoje, a Farrah deixou-nos no mesmo dia do Rei da Pop.

25.6.09

The Moon Walker Dancer



Embarcou numa busca frenética dum conceito de perfeição muito seu.


Polémico mas único.

Reza a história, que era um Homem em que o H grande defina somente a espécie, não o carácter.

Mesmo assim, é com saudosismo que olho para trás, para o tempo antes de tudo o que dava para maldizer.

Mas, contudo e no entanto, a mão tem de se dar à palmatória por ter marcado duas décadas em que foi coroado no reino da Pop e intitulado como The Moon Walker Dancer.

Lembro-me de ter medo de ver o Thriller. Lembro-me das meias brancas em contraste com os sapatos pretos, da luva numa só mão ou da gaze na ponta de três dedos, eleitos, sabe-se lá porque lógica.

fizes-te história



R.I.P




23.6.09

oscilados . obsessivos e descontrolados



Neste oscilar

que não tem peso nem medida,

onde a mente está obsessiva

e os pensamentos descontrolados

é urgente romper com esta linha

cada vez menos tenue

que une

o discernimento à insanidade.

É urgente não lamentar,

o que nunca nos coube a nós controlar.

21.6.09

a luta interminável e desleal,

entre,

um romantismo que quase roça o infantil

e a crua noção da realidade duma vida colada a cuspe.

20.6.09

Num revivalismo que não consigo largar da mão


Tenho de mim para mim que Parma deve estar sem electricidade ou no mínimo sem internet… ou talvez não. Talvez a minha imaginação esteja a extrapolar.
Então… só pode ser o monguito que está sem electricidade e por consequência sem internet… mais um vez. Imaginação a extrapolar. Se o moço foi para fora é porque compensa. E também saberia que podia sempre fazer uma colecta, pedir um vale postal ou organizar uma petição com os amigos para a conta da luz.

Depois passou-me pela cabeça: e se ele tem electricidade e internet mas não o deixam enviar mensagens aos amigos???
Não! Não! Não!
Isso também não pode ser! Para isso acontecer, terias de ter sido preso, amarrado e amordaçado! Tu nunca permitirias que te privassem de contactar os teus amigos sem oferecer resistência, sem dares luta!

Bem… só se tens electricidade, internet, falas com os amigos todos; menos comigo.

Pois, talvez te tenhas fartado de mim porra.
Talvez te tenhas fartado de eu passar a vida a queixar-me que não me ligas nenhuma, que nunca me contas as coisas giríssimas que se devem estar a passar, (se não estão, talvez seja um bom sinal para voltares), que sinto a falta de saber que estás em ******, que é já ali. Que quando falamos, gosto da certeza de estar a falar com alguém ainda mais wierdo do que eu.

Mas por fim, lembro-me de teres dito: para quê procurar sempre a opção mais complicada?...

Não procuro. Por isso, diz-me tu.
Porque é que não te osculto.

bj não consigo relaxar!!!

vou tentar dormir, o meu mal deve ser sono....



Volvidos meses depois deste e-mail, concluo, que não estás privado de contactares os amigos nem foste preso e amordaçado, mas sim, que te fartaste de mim. lancei todas as cartas J., fiz todos os malabarismos. seja feita a tua vontade.


mi manchi . sei quell nodo in gola .
che non scende giù


YES, I HOPE HE CAN

sem querer entrar em politiquices



Please could you stop the noise, I'm trying to get some rest
From all the unborn chicken voices in my head
What's this? (I may be paranoid, but not an android)
What's this? (I may be paranoid, but not an android)

When I am king, you will be first against the wall
with your opinion which is of no consequence at all
What's this? (I may be paranoid, but no android)
What's this? (I may be paranoid, but no android)

Ambition makes you look pretty ugly
Kicking, squealing, gucci little piggy
You don't remember
You don't remember
Why don't you remember my name?
Off with his head, man
Off with his head, man
Why don't you remember my name? I guess he does...

Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great height
From a great height... height...Rain down, rain down
Come on rain down on meFrom a great height
From a great height... height...Rain down, rain down
Come on rain down on me

That's it sir
You're leaving
The crackle of pigskin
The dust and the screaming
The yuppies networking
The panic, the vomit
The panic, the vomit
God loves his children,
God loves his children, yeah!

19.6.09

O pior dos fardos é a consciência, citas tu?!

Então, como consegues tu andar?? Dar um passo que seja?? Como podes tu falar do seu peso, se sofres duma grande ausência, da já referida??

Quero detestar-te. Estou farta de ser uma idealista romântica, ao acreditar que é possível a amizade sobreviver a um coração míope. Estou farta de ser a única a querer preservar o belo, e não, a transformá-lo em algo escandaloso, incómodo.

Certo e sabido, que vivemos numa época em que tudo acontece demasiado depressa, em que o mais e o muito, nunca foram tão valorizados. Mas não estará, isso, a mexer com os nossos conceitos, com os nossos valores, alterando assim, a nossa forma de pesar na balança?

Eu sei que não és detestável. Ninguém é detestável. Mas porra, tu não estás a ajudar em nada. Tudo o que tens dito e a forma como tens agido são detestáveis.
A minha grande fraqueza, é não te querer definir assim. Continuo a fazer das coisas más uma colagem com purpurinas e flores à volta, assim, sempre parecem mais bonitas, menos más.

Afinal, se calhar, és detestável e não tens consciência...

Mas eu gostava de ser como tu, a verdade, é que a inconsciência pode ser uma mais valia, (mais valia não ter coração, para não ter de ser arrancado à dentada).
Tenho conhecimento de muitas pessoas que vivem assim como tu, nesse heliocentrismo disparatado, em que tu és o Sol. Em que o sentimento alheio, não passa disso mesmo, alheio.

Consciência maldita que não se compra em xarope!
Posologia: deve administrar-se de uma vez em doses parciais. Uma colher de manhã e duas à noite, (em adultos com um ego demasiado grande, triplicar a dose nocturna).
Sem efeitos secundários.

Assim podia ser que essa tua pseudo-consciência crescesse que nem pelo no nariz, aparentemente supérfluo e dispensável, mas de extrema importância.

Podia ser que um dia soubesses o que é a consciência e o quão pesada pode ser.

17.6.09

Cause, I built a home




for you . for me




Until it disappeared




from me . for you






16.6.09




Vinte bairros em Paris. Vinte histórias de amor roubadas, passageiras, vampirizadas ou reveladas. Vinte realizadores internacionais a reinventarem a cidade da luz com vinte surpreendentes desfechos.


Paris é isto. É paixão. É arte. É cultura. É arrogância. São sabores. São paladares. São olhares. São imagens. É o pitoresco. É o sujo. É a merda de cão. São os connards. São as femmes. É amor. São os aprés-travail. É o metro. São os carnet. São as scooters. É a fête de la musique. E o rio. São os alfarrobistas. São os táxis. São as praças. São os queijos. São as panquecas. É a Amélie. É o foundue. São os vinhos. São os kir royal. São as carafe d’eau. São as formalidades. São os livros em cada mão, em cada canto. São as baguetes. São os pan au chocolat. São as escadas. São as luzes. São as pontes. São as greves. São os canais. São os Beirut. É a Rue Oberkampf....

Paris, Je t'aime!

14.6.09

Luminoso e peregrino amor
Venha depressa o teu reino fugidio
Sejam trombetas onde era rumor
Seja o vulcão onde existia frio.


unifica-me, dá-me a Tua graça,
embriagez que vem e nunca passa.
quero rasgado o véu da ameaça
e sorver depressa a minha taça


quero desertar de dentro de mim mesmo
em agonizantes prefumes me banhar
quero a vertigem de cavalgar a esmo,


arrebatar a lua ao próprio luar
tirar-te a máscara ó face amada
ver-te em tudo e não ver mais nada

Adalberto Alves in "A Noite do Destino"

Pensamentos de Domingo, frouchos e peganhentos


Despida de medos e máscaras. Frágil, contudo, mais forte. Galvanizo para não retardar, acredito sem nada querer.
Tudo obtém um novo sentido, um novo plano: a necessidade de acreditar, que a felicidade também pode existir no singular.

A mudança não é bem vinda. O meu corpo não se ajusta, a minha mente não acompanha. Dos buracos que ficaram, abertos, escancarados à má sorte, não se vê cura.
Pessoas insubstituíveis e incomparáveis continuam a ser saudosos à minha pessoa. Pessoas que mudaram o meu propósito. Pessoas feitas de areia para a minha capacidade, que aumenta todos os dias o seu engenho, a sua destreza.

Não vos quero largar da mão.
Não quero ficar pávida e serena, quero agir.
Quero que os km’s mirrem, quero que um oceano desapareça e quero que aconteça um mimetismo libertador às tuas inseguranças. Quero que tudo volte a ser como era.

Imperfeito mas presente.

Intranquila, num comprometedor desassossego, porque, afinal, há coisas que ganham maior dimensão por falta de palavras ditas ao coração, com o coração.
Assuntos varridos para debaixo do tapete, assuntos entregues a um esquecimento que não chega. Que tarda e vai corroendo.
Sei que são pensamentos de Domingo. E como todos os pensamentos de Domingo, frouxos e peganhentos, mas autênticos.

Se ao menos as palavras fossem proferidas, sem vergonhas, sem medo do ridículo ou do demasiado. Se ao menos, as minhas mãos se recusassem a deixar fugir. Se ao menos, elas fechassem, com força para não deixar passar, entre dedos, toda a areia que a minha capacidade se sabe, capaz de carregar.

10.6.09



o coração abrasado, aos pulos, incessante,

bombeia sangue-vermelho-amor, traduzindo

a agitação visceral causada,

que trespassa a carne

e chega aos refegos da alma.